
O concreto é formado por cimento, água, agregados e, frequentemente, aditivos. A reação entre o cimento e a água, chamada hidratação, é a responsável pelo endurecimento e é exotérmica, ou seja, libera calor, conhecido como calor de hidratação. A temperatura do ambiente influencia diretamente esse processo, e tanto o calor quanto o frio extremos podem comprometer o resultado.
Concretagem em clima quente
Em dias muito quentes, a hidratação se acelera e a evaporação da água aumenta. Isso provoca perda rápida de trabalhabilidade, início de pega antecipado e maior tendência à fissuração por retração plástica, além de poder reduzir a resistência final. Boas práticas para minimizar esses efeitos incluem:
- Concretar nos horários mais frescos do dia, como início da manhã ou fim da tarde.
- Resfriar a mistura com água gelada ou parte da água em forma de gelo, e proteger os agregados do sol.
- Empregar cimentos com adições, como o CP III (com escória de alto-forno) ou o CP IV (pozolânico), que apresentam menor calor de hidratação.
- Iniciar a cura úmida o quanto antes e protegê-la do vento e da insolação com mantas, lonas ou aspersão de água.
Como referência prática, a ABNT NBR 7212 (concreto dosado em central) recomenda que a temperatura ambiente no lançamento fique entre cerca de 5 °C e 30 °C; fora dessa faixa, cuidados especiais devem ser acordados entre as partes. Também se recomenda que a temperatura do concreto fresco no lançamento não ultrapasse, em geral, 30 °C.
Concretagem em clima frio
Já em temperaturas baixas, a hidratação desacelera, o que retarda o endurecimento e reduz a resistência nas primeiras idades. Esse atraso é crítico para quem depende de desforma rápida, como fábricas de pré-moldados e artefatos. Em situações extremas, próximas ou abaixo de 0 °C, a água pode congelar e a pega pode ser paralisada, deixando o concreto no estado fresco. Nesses casos, recomenda-se proteger a peça contra o congelamento com mantas térmicas, aquecer os materiais e, quando indicado por profissional, empregar aditivos aceleradores de pega ou de resistência.
Retração plástica e previsão de fissuras
A medição isolada da temperatura não prevê fissuras, pois a evaporação depende também da umidade relativa do ar e da velocidade do vento. Existem métodos consagrados para estimar a taxa de evaporação da água da superfície, como o nomograma do ACI 305 e a fórmula de Menzel, que combinam temperatura do ar, temperatura do concreto, umidade relativa e velocidade do vento. Como regra prática amplamente adotada, taxas de evaporação superiores a cerca de 1,0 kg/m² por hora indicam risco elevado de fissuração por retração plástica e exigem medidas protetivas imediatas.
Para medições confiáveis, deve-se aferir a temperatura ambiente a certa distância da massa de concreto e utilizar instrumentos adequados, como anemômetro para o vento e higrômetro ou psicrômetro para a umidade relativa do ar.
Medidas de prevenção
- Usar água fria ou gelo para resfriar a mistura e reduzir o pico de calor de hidratação.
- Cobrir a superfície com filme de polietileno, mantas de cura ou aplicar cura química para reduzir a evaporação.
- Adotar cura úmida contínua, inclusive pelo método de lâmina d'água (ponding) em superfícies horizontais.
- Aumentar a umidade local com nebulização e criar barreiras de vento no entorno da concretagem.
- Utilizar caminhões betoneira e formas de cores claras, que absorvem menos calor.
Concreto massa e monitoramento térmico
Em peças de grande volume (concreto massa), como blocos de fundação e barragens, o calor gerado no interior demora a se dissipar e cria gradientes de temperatura em relação à superfície, o que pode originar fissuras de origem térmica. O controle envolve cimentos de baixo calor de hidratação, adições minerais, pré-resfriamento dos materiais e, em obras de grande porte, sistemas de refrigeração embutidos na estrutura.
A execução e a cura das estruturas devem seguir a ABNT NBR 14931:2023 (execução de estruturas de concreto). Uma tendência atual é o monitoramento por sensores de temperatura embutidos, associado ao método da maturidade, que permite estimar a resistência no local em tempo real e definir com mais segurança o momento de desforma e de aplicação de cargas, sem substituir o controle por corpos de prova.
Fontes e referências
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Controle TecnológicoConsistência, efeitos da temperatura, aceitação da estrutura e os ensaios que garantem a qualidade.


