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Controle Tecnológico

Aceitação da Estrutura de Concreto

Como funciona a aceitacao da estrutura de concreto: recebimento por abatimento, controle da resistencia pela NBR 12655 e criterios de aceitacao da NBR 6118.

Conteúdo revisado em julho de 2026

Aceitação da Estrutura de Concreto

A aceitação do concreto e da estrutura ocorre normalmente em dois momentos distintos: o recebimento do concreto fresco na obra e a comprovação da resistência no estado endurecido. Os dois se complementam e são regidos por normas da ABNT recentemente atualizadas, principalmente a NBR 12655:2022 e a NBR 6118:2023.

Recebimento do concreto fresco

Na chegada do caminhão betoneira, verifica-se a consistência por meio do ensaio de abatimento do tronco de cone (slump test), hoje normalizado pela ABNT NBR 16889:2020, que substituiu a antiga NBR NM 67:1998. O resultado medido deve estar dentro da faixa e da tolerância especificadas na nota fiscal de entrega.

Se o abatimento estiver acima do previsto, há indício de excesso de água na mistura, o que altera a relação água/cimento e pode reduzir a resistência e a durabilidade. Nessa situação, a carga pode ser recusada. Também devem ser conferidos na nota o fck, a classe de consistência, o volume, o horário de saída da central e o tempo de transporte.

Controle da resistência

Independentemente do slump, devem ser moldados corpos de prova conforme a ABNT NBR 5738:2015, que no estado endurecido são rompidos no ensaio de compressão segundo a ABNT NBR 5739:2018. A quantidade de exemplares e a forma de amostragem seguem a ABNT NBR 12655:2022, que também define como calcular a resistência característica estimada (fck,est).

O controle pode ser feito por amostragem parcial ou total, de acordo com o porte e a responsabilidade da obra. A aceitação é automática quando o fck,est resulta igual ou superior ao fck especificado em projeto.

Quando o resultado não atende ao projeto

Se o fck estimado ficar abaixo do especificado, a estrutura não é reprovada de imediato. A NBR 12655:2022 e a NBR 6118:2023 preveem uma avaliação complementar antes de qualquer decisão, que pode incluir:

  • Ensaios não destrutivos, como esclerometria e ultrassom, para mapear a resistência ao longo da peça.
  • Extração e ensaio de testemunhos (corpos de prova retirados da própria estrutura), conforme a ABNT NBR 7680.
  • Reanálise do projeto estrutural, para verificar se a resistência efetiva ainda atende às solicitações de cálculo.
  • Prova de carga na estrutura, quando aplicável, para comprovar seu desempenho.

Se, mesmo após essas verificações, a segurança não for comprovada, as medidas possíveis são:

  • Reforço da estrutura, para recuperar a capacidade prevista em projeto.
  • Aproveitamento com restrições de uso, quando a análise indicar que a peça atende a solicitações menores.
  • Demolição da parte afetada, nos casos em que não há alternativa segura.

Tendências e importância do controle

Ferramentas de monitoramento vêm ampliando a confiabilidade da aceitação. O método da maturidade, baseado em sensores de temperatura embutidos na peça, estima a resistência no local e apoia decisões de desforma e liberação de etapas, sempre de forma complementar aos ensaios normativos por corpos de prova.

Como se vê, o controle tecnológico e os critérios de aceitação são fundamentais para executar uma obra com qualidade e para evitar os riscos, técnicos e legais, de uma estrutura sem comprovação de desempenho.

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