
O cimento é o aglomerante que dá liga ao concreto, e existem diferentes tipos que se diferenciam pela composição. O componente principal é sempre o clínquer, ao qual se acrescenta uma pequena quantidade de gesso e, conforme o tipo, adições minerais que alteram propriedades como resistência, durabilidade e impermeabilidade.
Desde 2018, todos os cimentos Portland fabricados no Brasil são especificados por uma única norma, a ABNT NBR 16697:2018, que unificou as normas antigas e organizou tipos, composições e classes de resistência. Antes disso, cada tipo tinha sua própria norma separada.
As adições e o que elas fazem
- Gesso (sulfato de cálcio): regula o tempo de pega, evitando que o cimento endureça rápido demais.
- Escória de alto-forno: subproduto siderúrgico que aumenta a durabilidade, melhora a resistência a sulfatos e reduz o calor de hidratação.
- Material pozolânico: como cinzas volantes e argilas calcinadas, torna o concreto mais impermeável e resistente a meios agressivos.
- Fíler calcário (material carbonático): pó de calcário que melhora a trabalhabilidade e reduz o teor de clínquer, ajudando a diminuir as emissões de CO2.
Os tipos de cimento Portland no Brasil
A NBR 16697 identifica os cimentos pela sigla CP seguida de um algarismo romano. As faixas de composição a seguir são as previstas na norma:
- CP I - Cimento Portland comum: 95% a 100% de clínquer e gesso, com até 5% de material carbonático. É a referência básica, pouco encontrada no varejo.
- CP II - Cimento Portland composto: contém adições moderadas e se divide em três subtipos, o CP II-E (com escória), o CP II-Z (com pozolana) e o CP II-F (com fíler). É um dos mais versáteis e usados em obras em geral.
- CP III - Cimento Portland de alto-forno: 25% a 65% de clínquer e 35% a 75% de escória. Indicado para obras de grande volume, ambientes agressivos, fundações e estruturas em contato com sulfatos.
- CP IV - Cimento Portland pozolânico: 45% a 85% de clínquer e 15% a 50% de material pozolânico. Confere maior impermeabilidade e durabilidade, sendo indicado para obras marítimas, barragens e meios agressivos.
- CP V-ARI - Cimento Portland de alta resistência inicial: alto teor de clínquer e finura elevada, com até 10% de material carbonático. Ganha resistência rapidamente, o que é útil em peças pré-moldadas, concretagens com prazo curto e reparos.
Há ainda o cimento Portland branco (CPB), de mesma química básica, mas sem os compostos que dão cor cinza, usado em concreto aparente, rejuntes e fins arquitetônicos. Cimentos podem também trazer siglas complementares, como RS (resistente a sulfatos) e BC (baixo calor de hidratação), conforme requisitos adicionais.
Classes de resistência
Além do tipo, o cimento é identificado por uma classe de resistência: 25, 32 ou 40. Esses números indicam a resistência mínima à compressão, em megapascals (MPa), aos 28 dias de idade, medida conforme a ABNT NBR 7215. Assim, uma embalagem pode trazer, por exemplo, a indicação CP II-Z-32. O CP V, por sua natureza de alta resistência inicial, é identificado pela sigla ARI em vez de um número de classe.
Disponibilidade, comercialização e tendências
A oferta de cada tipo varia conforme a região, já que depende das jazidas próximas à fábrica, da demanda do mercado e das estratégias de cada produtor. O cimento é vendido em sacos, em big bags e a granel, este último mais comum para centrais de concreto e fábricas de artefatos.
A tendência do setor é reduzir cada vez mais o teor de clínquer por meio de adições, o que diminui as emissões de carbono. Tecnologias como o cimento de calcário calcinado (conhecido pela sigla LC3), que combina argila calcinada e fíler calcário, estão entre as apostas para uma produção mais sustentável, alinhadas às metas de neutralidade de carbono da indústria brasileira até 2050.
Fontes e referências
Continue explorando
FundamentosO que é concreto e cimento, sua origem, tipos de cimento e noções básicas para começar do jeito certo.



